O jovem estava em frente a um buraco com uma esfera roxa translúcida dentro, como se fosse um meteoro e tivesse caido com uma velocidade incrível.
- Mas o que é isso...?
E como um encanto, as palavras proferidas serviram como uma música de despertar para o objeto, que irradiou uma luz intensa, como um segundo sol. Com a intensidade da luz mais fraca, a esfera começou a flutuar, dando algumas voltas em torno do nosso herói, como se estivesse tentando reconhecê-lo, e parando em frente a ele, no ar.
"Mas q..."
- Olá! Eu estava te esperando! - saudou uma voz andrógena, surpreendendo o jovem atônito que, sem saber o que responder, continuou a observar a bola radiante.
"Pera ai... Essa voz está vindo dessa... 'Coisa'?"
- Nossa, você me encontrou mais rápido do que eu achei que iria...
- Quem... Quem é... Aliás... O QUE é você?
- Ah, desculpe-me, esqueci de me apresentar... Eu sou o Oráculo.
- O quê?
- É... Serei seu guia para a jornada que está prestes a iniciar.
- Jornada? Ah, sim... Jornada... (?)
- É! Mas... Mas eu não posso ficar aqui por muito tempo, você terá que estabelecer um santuário primeiro...
- Um San... Olha, dá pra me explicar tudo direitinho o que está acontecendo? Eu não sei de nada do que você está falando.
- É óbvio que não sabe. Até porque, qual seria a graça se você soubesse?
- Como?
- Olha, é o seguinte: antes de qualquer coisa, eu preciso... Quero dizer, nós precisamos de um santuário... Arrume um aí...
- Não, porque é super simples de se "arrumar" um santuário assim, do nada... Principalmente quando uma esfera de cristal roxo que fala te pede um santuário... Assim, super básico... E como você quer que eu faça isso, no meio do nada, em cima de uma montanha?
- Nossa, você não era assim... Tá parecendo até que os anos roubaram a sua imaginação...
- Como assim? Você quer o que, que eu imagine um santuário, é isso?
- Ué, e de que outro modo seria?
- (???)
- Sim, imagina um ai... Mas depressa, eu não aguentarei muito tempo aqui... Ah, e não esqueça, tem que ser um lugar que lhe pareça seguro e seja privado...
"Um santuário... Privado? Privado sempre me lembra privada de um banheiro de uma casa comunista qualquer... Enfim... Ok, vejamos... Hmm... Podia ser, tipo uma gruta né... Uma salinha escura, aconchegante... Com a parece de tijolos verde petróleo azulado... Com uma fontezinha grudada em uma das quatro paredes... É isso! Será essa salinha pequena, sem janelas nem paredes, escura e de cores frias, com a água escorrendo em uma fonte que será a morada do oráculo..."
Quando o jovem abriu os olhos após momentos de pura imaginação, encontrava-se no santuário que havia imaginado, com o Oráculo flutuando sobre a fonte, menos translúcido e mais roxo do que antes.
- Nossa, não estou acostumado com esse tipo de ambiente... Podia ser algo mais arejado não? Hehe... Enfim... Não mude mais, por enquanto. Agora que temos mais tempo, vejo que você não sabe nada do que você não sabe... Pode perguntar o que quiser.
- ... Mas não é meio óbvio que eu não saiba nada das coisas que eu nada sei?
- Não, não é óbvio.
- ...
- Mais alguma outra pergunta?
- De onde você me conhece?
- Ah, desde sempre!
- Como? De onde você veio?
- Eu fui criado para lhe servir como guia, por isso te conheço desde sempre. Eu vim da biblioteca superior.
- Biblioteca superior?
- Sim, biblioteca superior.
- ... E você será meu guia do que?
- Serei guia da sua jornada.
- Qual jornada? E por que fica me dando respostas completas o tempo todo? Não precisa, isso cansa...
- Ok. Jornada que você acabou de começar, em busca das chaves do arco-íris.
- Arco-íris? Que coisa mais... Feliz... E uma coisa: por que você só responde exatamente o que eu pergunto se é meu guia? Não deveria dar mais explicações e, tipo... Me "guiar" melhor?
- Ué, eu só respondo o que você pergunta.
- Você só responde perguntas ou realiza desejos?
- Que tipo de desejo?
- Por exemplo, eu desejo que você me diga o que eu tenho que fazer pra achar essas chaves...
- Ah, sim, esse tipo de desejo. Bem, eu não posso falar como fazer isso agora sobre todas as chaves... Só sobre a primeira...
- Ufa! Finalmente falou algo que não fosse apenas um resposta curta e objetiva... E como faço para achar? Você pode me "guiar" até ela?
- Você só vai achar na hora certa. Se eu posso guiá-lo até onde ela se encontra? Bem, você já está onde ela também está.
- ... Cadê então? Não a vejo... Como faço para vê-la? Dê-me todo o material necessário!
- Bem, não posso fazer todas essas coisas ao teu modo, mas farei o que estiver ao meu alcance... Mas antes você deve se desfazer de tudo o que possui. Está preparado?
- Como assim?
- Ah... Você terá que abrir mão do seu reino, dos seus poderes, das pessoas que conhece... Da sua vida inteira, para começar uma nova.
- ?!
- Juro que não dói. É só abrir as suas mãos fechadas em minha direção. Quando fizer isso, estará pronto. Ficarei aqui esperando.
O jovem pensou... Pensou... Pensou... Não queria abandonar tudo o que tinha.
"Mas isso é injusto... ! Eu não quero perder meus poderes, meu castelo, minha Fênix... Nada! Nem minha bolsa sem fundo... Minha espada com 103 espíritos, minha armadura verde da floresta... Mas espere! Ah, sou um gênio! Tive uma idéia..."
Então o rapaz estendeu suas mãos abertas em direção ao Oráculo e um clarão tomou conta de tudo.
Mostrando postagens com marcador conto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conto. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 7 de setembro de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
3
E resolveu adentrar-se no portal.
Agora estava sentado em seu trono, em seu castelo...
- Rei, encontramos um para-sol mágico na bolsa de um andarilho... Acreditamos que ele tenha sido o próprio ladrão. O senhor quer verificar o que encontramos?
- Não, podem mandar direto para a princesa de Waddleeland...
- E o que fazemos com o suspeito?
- Levem-no para fora da cidade e joguem curry vermelho em cima dele... Assim ele será barrado pelo escudo mágico da cidade.
- Ok senhor! Até mais!
- Até...
Agora estava mais uma vez só em seu grande salão...
"Chega, vou sair daqui... Vou para a minha mansão de treinamento psíquico, meditar um pouco, ampliar meus poderes mágicos e tudo mais... É, acho que preciso de férias, vou deixar uma marionete minha em meu lugar, isso! Plano perfeito..."
E foi o que fez. Conjurado o clone, o príncipe empurrou seu trono para o lado e entrou na passagem secreta, um túnel, que o levava para uma parte inacessível de seus jardins, no fundo do castelo. No centro do jardim, havia uma fonte sem água. Ele criou água e colocou tudo na fonte. Foi quando um buraco temporário surgiu na densa parede que cercava o castelo, que existiria enquanto a fonte não absorvesse toda a água.
Fora do castelo, ele correu em direção ao bosque de sua cidade e usou uma porta escondida debaixo de trepadeiras para atravessar o muro do local onde reinava. Agora estava livre.
"Nossa, fazia tempo que não andava por esses campos... É impressionante como é tudo tão deserto por aqui... Ah, melhor eu calar a boca, é bem capaz que alguém apareça e me veja vadiando por essas bandas aqui... Daí é só atravaessar esse campo, o pântano e chegar enfim na floresta no pé da montanha... Moleza, já passei por coisas piores... Bem que eu podia ter um cavalo ou algo do tipo né... Ah! E se eu chamar a Fênix? É, é uma boa idéia... Cadê a minha bolsa de fundo infinito... No lo creo! Eu esqueci em casa... Sem a flauta ela não vem... Bem que podia ter telepatia né... Ah não, eu não vou voltar... Ai, que raiva! Eu quero minha mãe... Ei, pera... eu não lembro desse rio, como assim?"
E se aproximando das águas que corriam e atravaessavam o campo, o jovem parou e ficou observando. Algumas carpas brancas com manchas salmão, bigodes imensos e escamas grandes nadavam como se estivessem passeando em um shopping e parando para ver vitrines. Parecia que a corrrenteza não as afetava.
"Eu vou seguir essa jossa desse rio e ver onde vai dar... Nossa, ele sai do pântano... Que bom, é pra lá que eu tinha que ir mesmo... Mas não exatamente para aquela direção... Enfim...Mas meu, que estranho, eu deveria lembrar pelo menos da existência de um rio por aqui né, sei lá... Ai! Hehe, nossa, quase que eu caí de cara no chão agora... Também, quem mandou essa raiz estar tão exposta assim? Ai ai, não se fazem árvores de pântano como antigamen-"
...E caiu de cara na lama roxa do pântano. Preocupado em não engolir a lama que entrou em sua boca, o prícipe levantou com cuidado para não se afundar mais na lama e cuspiu tudo, ao mesmo tempo que já corria em direção ao rio para se lavar e fazer uns bochechos. Uns não, vários. É que a lama era meio venenosa e corrosiva. Sua sorte foi que ele era quem era, então o efeito não foi tão devastador, apenas criou umas aftas na boca e fez alguns buracos na roupa que usava.
"Que merda! Preciso de umas pomberries agora! Ainda bem que a natureza é sábia e no próprio pântano eu posso achar algumas... Tipo aquelas ali!!!"
E colocou umas seis pomberries de uma vez na boca, mastigando eternamente, como se fossem gomas de mascar.
"Nossa, esse caminho que o rio está me obrigando a fazer é demorado... Nem sabia que o pântano era tão comprido assim... E o mais estranho ainda é que as árvores estão cada vez mais diferentes... Ei... Pera ai... Nossa! Carai! Eu já estou no pé da montanha! Isso aqui já é a floresta! Nossa...Ah, bonito, não to nem um pouco afim de escalar essa montanha só para acompanhar as mini-cachoeiras do rio... Ah, ok... Vou gastar um pouco de magia vai..."
E, usando seu poder de água, inverteu o sentido da correnteza do rio e simplesmente deixou ser levado até o topo... Foi quando achou a nascente.
"Nossa, que... Olha, aposto que foi o que provocou essa rachadura aqui que fez nascer esse rio... Vou seguir o racho... ... ... ... Ah, um buraco com uma... Esfera roxa translúcida como se fosse um meteóro que caiu do além?"
Agora estava sentado em seu trono, em seu castelo...
- Rei, encontramos um para-sol mágico na bolsa de um andarilho... Acreditamos que ele tenha sido o próprio ladrão. O senhor quer verificar o que encontramos?
- Não, podem mandar direto para a princesa de Waddleeland...
- E o que fazemos com o suspeito?
- Levem-no para fora da cidade e joguem curry vermelho em cima dele... Assim ele será barrado pelo escudo mágico da cidade.
- Ok senhor! Até mais!
- Até...
Agora estava mais uma vez só em seu grande salão...
"Chega, vou sair daqui... Vou para a minha mansão de treinamento psíquico, meditar um pouco, ampliar meus poderes mágicos e tudo mais... É, acho que preciso de férias, vou deixar uma marionete minha em meu lugar, isso! Plano perfeito..."
E foi o que fez. Conjurado o clone, o príncipe empurrou seu trono para o lado e entrou na passagem secreta, um túnel, que o levava para uma parte inacessível de seus jardins, no fundo do castelo. No centro do jardim, havia uma fonte sem água. Ele criou água e colocou tudo na fonte. Foi quando um buraco temporário surgiu na densa parede que cercava o castelo, que existiria enquanto a fonte não absorvesse toda a água.
Fora do castelo, ele correu em direção ao bosque de sua cidade e usou uma porta escondida debaixo de trepadeiras para atravessar o muro do local onde reinava. Agora estava livre.
"Nossa, fazia tempo que não andava por esses campos... É impressionante como é tudo tão deserto por aqui... Ah, melhor eu calar a boca, é bem capaz que alguém apareça e me veja vadiando por essas bandas aqui... Daí é só atravaessar esse campo, o pântano e chegar enfim na floresta no pé da montanha... Moleza, já passei por coisas piores... Bem que eu podia ter um cavalo ou algo do tipo né... Ah! E se eu chamar a Fênix? É, é uma boa idéia... Cadê a minha bolsa de fundo infinito... No lo creo! Eu esqueci em casa... Sem a flauta ela não vem... Bem que podia ter telepatia né... Ah não, eu não vou voltar... Ai, que raiva! Eu quero minha mãe... Ei, pera... eu não lembro desse rio, como assim?"
E se aproximando das águas que corriam e atravaessavam o campo, o jovem parou e ficou observando. Algumas carpas brancas com manchas salmão, bigodes imensos e escamas grandes nadavam como se estivessem passeando em um shopping e parando para ver vitrines. Parecia que a corrrenteza não as afetava.
"Eu vou seguir essa jossa desse rio e ver onde vai dar... Nossa, ele sai do pântano... Que bom, é pra lá que eu tinha que ir mesmo... Mas não exatamente para aquela direção... Enfim...Mas meu, que estranho, eu deveria lembrar pelo menos da existência de um rio por aqui né, sei lá... Ai! Hehe, nossa, quase que eu caí de cara no chão agora... Também, quem mandou essa raiz estar tão exposta assim? Ai ai, não se fazem árvores de pântano como antigamen-"
...E caiu de cara na lama roxa do pântano. Preocupado em não engolir a lama que entrou em sua boca, o prícipe levantou com cuidado para não se afundar mais na lama e cuspiu tudo, ao mesmo tempo que já corria em direção ao rio para se lavar e fazer uns bochechos. Uns não, vários. É que a lama era meio venenosa e corrosiva. Sua sorte foi que ele era quem era, então o efeito não foi tão devastador, apenas criou umas aftas na boca e fez alguns buracos na roupa que usava.
"Que merda! Preciso de umas pomberries agora! Ainda bem que a natureza é sábia e no próprio pântano eu posso achar algumas... Tipo aquelas ali!!!"
E colocou umas seis pomberries de uma vez na boca, mastigando eternamente, como se fossem gomas de mascar.
"Nossa, esse caminho que o rio está me obrigando a fazer é demorado... Nem sabia que o pântano era tão comprido assim... E o mais estranho ainda é que as árvores estão cada vez mais diferentes... Ei... Pera ai... Nossa! Carai! Eu já estou no pé da montanha! Isso aqui já é a floresta! Nossa...Ah, bonito, não to nem um pouco afim de escalar essa montanha só para acompanhar as mini-cachoeiras do rio... Ah, ok... Vou gastar um pouco de magia vai..."
E, usando seu poder de água, inverteu o sentido da correnteza do rio e simplesmente deixou ser levado até o topo... Foi quando achou a nascente.
"Nossa, que... Olha, aposto que foi o que provocou essa rachadura aqui que fez nascer esse rio... Vou seguir o racho... ... ... ... Ah, um buraco com uma... Esfera roxa translúcida como se fosse um meteóro que caiu do além?"
sábado, 14 de agosto de 2010
2
- Tchau!
- Tchau, até mais! - disse o jovem, o personagem principal da história.
Estava voltando para casa depois de mais um dia de estudos.
"Mal posso esperar para chegar em casa e almoçar... Mas ah não, ainda vou ter que pegar o ônibus agora e... E depois do almoço tenho uma penca de tarefa pra fazer... Eu acho que quero dormir. Mas se eu dormir, vou perder tempo para fazer tarefas... Arg!!! Acho que vou me aposentar... Por que diabos a gente tem que..."
- Ai! Merda... - resmungou após tropeçar nele mesmo, dando uma olhadinha básica para ver se ninguém o vira em tal situação.
Depois de uns minutos de estado alpha involuntário, voltou a mergulhar em seus pensamentos:
"Aff, que cano ceboso desse ônibus! Imagina quantas mãos já não passaram nesse mesmo lugar, onde essas mão passaram antes... Melhor nem pensar, fingir que nem pensei nisso é melhor e assim continuarei me segurando de modo feliz aqui, se não eu caio no meio de uma brecada daí eu quero ver... Até aquela tiazinha ali no canto vai rir de mim... Nossa, olha a cara dela de sofrida... Ah, pelo menos seus olhos são bonitos... Mas o que faz ela ter uma cara de sofredora tão... Assim??? Aliás, por que todo mundo no ônibus sempre está de cara feia?"
E esboçou um sorriso, orgulhoso por não estar na mesma vibração dos outros e ter econtrado dentro de si mesmo uma felicidade momentânea que desejava transmitir para o resto das pessoas dentro do ônibus. Um homem que estava na sua frente, no lado oposto do ônibus, encostado na sanfona, olhou para o sorriso tímido do garoto de cara feia como quem dizia "que cara maluco, psicopata". Foi quando o herói apagou sua expressão facial e, as pressas, saiu para apertar o botão de "pare" do ônibus, batendo sua cabeça em um dos canos altos. Olhou para os lados para ver se ninguém olhava, embora de nada adiantasse essas olhadas, pois eram tão rápidas e tão vagas que nunca detectavam se alguém de fato o olhava. Era apenas para deixá-lo mais seguro, com a ilusória resposta de que sim, ninguém estava olhando porque ele não conseguiu ver alguém olhando para ele. Então desceu do ônibus.
Ao chegar em casa, se jogou na cama junto com a mochila. Ficou morto por uns 7 minutos, sofrendo deitado com a preguiça e resolveu encarar a comida que o desanimara completamente. O pior é que o desÂnimo nunca era o suficiente para deixá-lo sem fome, apenas não conseguia comer feliz a gororoba com a carne retorcida por conta de nervos e mais nervos. Quando enfim terminou de comer, foi para seu recanto: o banheiro. Com seus fones de ouvidos em cima da pia, quase estourando por conta do volume altíssimo, ele fingia que estava em um show w cantava e interpretava a música junto, enquanto escovava os dentes. Sim, enquanto escovava os dentes. E ficava muito tempo imerso dentro de suas fantasias.
Era no banheiro que havia o portal para uma dimensão paralela, a dimensão para todos os mundos criados por ele. Cada dia ele criava um novo ou visitava os já criados. É que normalmente, depois de cumprida a missão em um mundo já criado, ele era meio que abandonado. Deixava lembranças muito queridas, que gostava de relembrar. Mas o jovem simplesmente não conseguia voltar: era como se ele não amasse mais o mundo como amava ontem.
Eis que, acabado o show de entrada e a escovação de dentes, estava pronto para entrar no portal e continuar a aventura de seu último mundo criado.
"Ah, mas é que eu já terminei o que tinha que fazer lá... O felizes para sempre enche o saco depois de um tempo, preciso de uma coisa nova. Já sei, vou criar uma coisa nova..."
- Tchau, até mais! - disse o jovem, o personagem principal da história.
Estava voltando para casa depois de mais um dia de estudos.
"Mal posso esperar para chegar em casa e almoçar... Mas ah não, ainda vou ter que pegar o ônibus agora e... E depois do almoço tenho uma penca de tarefa pra fazer... Eu acho que quero dormir. Mas se eu dormir, vou perder tempo para fazer tarefas... Arg!!! Acho que vou me aposentar... Por que diabos a gente tem que..."
- Ai! Merda... - resmungou após tropeçar nele mesmo, dando uma olhadinha básica para ver se ninguém o vira em tal situação.
Depois de uns minutos de estado alpha involuntário, voltou a mergulhar em seus pensamentos:
"Aff, que cano ceboso desse ônibus! Imagina quantas mãos já não passaram nesse mesmo lugar, onde essas mão passaram antes... Melhor nem pensar, fingir que nem pensei nisso é melhor e assim continuarei me segurando de modo feliz aqui, se não eu caio no meio de uma brecada daí eu quero ver... Até aquela tiazinha ali no canto vai rir de mim... Nossa, olha a cara dela de sofrida... Ah, pelo menos seus olhos são bonitos... Mas o que faz ela ter uma cara de sofredora tão... Assim??? Aliás, por que todo mundo no ônibus sempre está de cara feia?"
E esboçou um sorriso, orgulhoso por não estar na mesma vibração dos outros e ter econtrado dentro de si mesmo uma felicidade momentânea que desejava transmitir para o resto das pessoas dentro do ônibus. Um homem que estava na sua frente, no lado oposto do ônibus, encostado na sanfona, olhou para o sorriso tímido do garoto de cara feia como quem dizia "que cara maluco, psicopata". Foi quando o herói apagou sua expressão facial e, as pressas, saiu para apertar o botão de "pare" do ônibus, batendo sua cabeça em um dos canos altos. Olhou para os lados para ver se ninguém olhava, embora de nada adiantasse essas olhadas, pois eram tão rápidas e tão vagas que nunca detectavam se alguém de fato o olhava. Era apenas para deixá-lo mais seguro, com a ilusória resposta de que sim, ninguém estava olhando porque ele não conseguiu ver alguém olhando para ele. Então desceu do ônibus.
Ao chegar em casa, se jogou na cama junto com a mochila. Ficou morto por uns 7 minutos, sofrendo deitado com a preguiça e resolveu encarar a comida que o desanimara completamente. O pior é que o desÂnimo nunca era o suficiente para deixá-lo sem fome, apenas não conseguia comer feliz a gororoba com a carne retorcida por conta de nervos e mais nervos. Quando enfim terminou de comer, foi para seu recanto: o banheiro. Com seus fones de ouvidos em cima da pia, quase estourando por conta do volume altíssimo, ele fingia que estava em um show w cantava e interpretava a música junto, enquanto escovava os dentes. Sim, enquanto escovava os dentes. E ficava muito tempo imerso dentro de suas fantasias.
Era no banheiro que havia o portal para uma dimensão paralela, a dimensão para todos os mundos criados por ele. Cada dia ele criava um novo ou visitava os já criados. É que normalmente, depois de cumprida a missão em um mundo já criado, ele era meio que abandonado. Deixava lembranças muito queridas, que gostava de relembrar. Mas o jovem simplesmente não conseguia voltar: era como se ele não amasse mais o mundo como amava ontem.
Eis que, acabado o show de entrada e a escovação de dentes, estava pronto para entrar no portal e continuar a aventura de seu último mundo criado.
"Ah, mas é que eu já terminei o que tinha que fazer lá... O felizes para sempre enche o saco depois de um tempo, preciso de uma coisa nova. Já sei, vou criar uma coisa nova..."
1
- Precisamos recrutar alguém. E rápido!
- Calma, não é assim que funciona... Calma que o Oráculo está quase pronto. Ficaria mais rápido se você ajudasse...
- Ah, tudo bem... Pronto! Agora terminou!!!
- Sim, terminou. Vamos enviar?
- Sim, mas como? Direto para a pessoa?
- Não, ela não merece isso.
- Então o que faremos?
- Apenas... Apenas enviemos. O resto acontece sozinho. O Oráculo vai achá-lo e vice-versa. Mais cedo ou mais...
- Já enviei então...
- Ok, que assim seja! Agora voltemos aos estudos.
- Calma, não é assim que funciona... Calma que o Oráculo está quase pronto. Ficaria mais rápido se você ajudasse...
- Ah, tudo bem... Pronto! Agora terminou!!!
- Sim, terminou. Vamos enviar?
- Sim, mas como? Direto para a pessoa?
- Não, ela não merece isso.
- Então o que faremos?
- Apenas... Apenas enviemos. O resto acontece sozinho. O Oráculo vai achá-lo e vice-versa. Mais cedo ou mais...
- Já enviei então...
- Ok, que assim seja! Agora voltemos aos estudos.
0
Era o espelho e a face. A face perplexa diante de um abismo criado após o terremoto da verdade interior. Era assim como ele via o certas verdades: como um terremoto. Essas verdades não vêm ao caso. O que interessa era o estado lastimável do jovem diante de tal abismo. Estava a exatamente 5,73cm de distância da queda livre. E não sabia se pulava ou não para alcançar o outro lado. É interessante notar que nesse momento de reflexão intensa, ele está em seu santuário mais sagrado: o banheiro de sua casa. Sempre era onde tomava as decisões mais importantes, recebia inspirações divinas para a elaboração de idéias. Era o local onde tinha mais liberdade. Oras, podia até ficar nu e trancar a porta quem ninguém questionaria depois nada sobre nada! Enfim, voltando ao dilema irrelevante do rapaz... Foi graças a esse cataclisma em sua vida que ele resolveu pesquisar antes de decidir se pulava ou não.
Então voltou para o seu quarto e abriu a janela para o mundo: ligou o computador. Entre uma pesquisa e outra sobre a origem e resolução de seu problema, viu que o buraco era mais embaixo, e mais e mais e muito mais embaixo. Isso o incentivou a meditar. Pronto, descobriu um universo novo. Meditar... Nunca tinha feito isso antes. Nem sabia como se fazia, nem sabia se fazia certo. Mas meditou. Então resolveu pular. E não é que deu certo? Só não havia se tocado que haviam mais rachaduras provenientes do terremoto, que mais cedo ou mais tarde ele teria que pular. Ainda bem que tinha a internet como guia. Pena que esse guia não é muito confiável. Pena que conforme o tempo foi passando ele acabou tomando outros caminhos para desviar de buracos com amis frequência. A semente plantada naquele dia do espelho já havia germinado e começava a crescer, não havia morrido ainda. A mudinha estava apenas adormecida.
Então voltou para o seu quarto e abriu a janela para o mundo: ligou o computador. Entre uma pesquisa e outra sobre a origem e resolução de seu problema, viu que o buraco era mais embaixo, e mais e mais e muito mais embaixo. Isso o incentivou a meditar. Pronto, descobriu um universo novo. Meditar... Nunca tinha feito isso antes. Nem sabia como se fazia, nem sabia se fazia certo. Mas meditou. Então resolveu pular. E não é que deu certo? Só não havia se tocado que haviam mais rachaduras provenientes do terremoto, que mais cedo ou mais tarde ele teria que pular. Ainda bem que tinha a internet como guia. Pena que esse guia não é muito confiável. Pena que conforme o tempo foi passando ele acabou tomando outros caminhos para desviar de buracos com amis frequência. A semente plantada naquele dia do espelho já havia germinado e começava a crescer, não havia morrido ainda. A mudinha estava apenas adormecida.
-1
Acorda. O Sol bate na janela fechada e indica que mais uma jornada diária deve ser realizada. A tentação da rebeldia é muito grande, mas as águas frias esperam a alma cansada. Depois de lavar-se, anda como uma pessoa agora em direção do que lhe sustenta. Ingere toda a lactose e volta para seu santuário para outro tipo de purificação. Quando o ritual se completa, quer dizer que a trilha deve ser seguida, rumo ao conhecimento. A aprendizagem já começa logo no caminho: sentidos passivos e locomoção ativa. Ativa e ilusória. Tudo ilusão na verdade ponto
Ao chegar no ginásio de estudos, vozes, livros, computadores e um monte de interferências atravessam como uma onda quente molecular toda a armadura de carne do espírito, que se adequa ao ambiente com uma armadura de gelo. Um gelo frágil, que derrete na presença de alguns que emanam certos raios de comoção.
Acabada a sessão que é tomada como certa no roteiro, os letreiros passam conforme a volta para o monte de seu templo é realizada ao som de passos inseguros. O que viria pela frente dependeria do dia, dependeria de muita coisa, de tudo. Só continuaria então as missões que já começara ou começaria, como se a verdade de um eterno presente fosse nula e nada mais importasse se não a ladainha que preenche as lacunas de uma vida inserida na tal sociedade.
Agora... Quando iria aprender esse pobre deus a aprender de verdade? Ele sabia o que estaria por vir? O terremoto que abalaria sua vida? Estaria ápto para iniciar sua epopéia fantástica? Quem era? Seria digno de realizar tal tarefa? Se você que está lendo isso deu uma resposta para todas essas perguntas, é melhor rever os seus conceitos. Não que estejam erradas, mas você, de fato, não sabe nada. Se você deve se preocupar? Não. Apenas acompanhe o ser dessa história em sua procissão e talvez você descubra alguma coisa. Apenas um aviso: nada do que foi visto até agora tem a ver com o estilo do que surgirá em um possível futuro e o inesperado reina sobre as mentes dos desavisados. Por isso... Preparem-se!
Ao chegar no ginásio de estudos, vozes, livros, computadores e um monte de interferências atravessam como uma onda quente molecular toda a armadura de carne do espírito, que se adequa ao ambiente com uma armadura de gelo. Um gelo frágil, que derrete na presença de alguns que emanam certos raios de comoção.
Acabada a sessão que é tomada como certa no roteiro, os letreiros passam conforme a volta para o monte de seu templo é realizada ao som de passos inseguros. O que viria pela frente dependeria do dia, dependeria de muita coisa, de tudo. Só continuaria então as missões que já começara ou começaria, como se a verdade de um eterno presente fosse nula e nada mais importasse se não a ladainha que preenche as lacunas de uma vida inserida na tal sociedade.
Agora... Quando iria aprender esse pobre deus a aprender de verdade? Ele sabia o que estaria por vir? O terremoto que abalaria sua vida? Estaria ápto para iniciar sua epopéia fantástica? Quem era? Seria digno de realizar tal tarefa? Se você que está lendo isso deu uma resposta para todas essas perguntas, é melhor rever os seus conceitos. Não que estejam erradas, mas você, de fato, não sabe nada. Se você deve se preocupar? Não. Apenas acompanhe o ser dessa história em sua procissão e talvez você descubra alguma coisa. Apenas um aviso: nada do que foi visto até agora tem a ver com o estilo do que surgirá em um possível futuro e o inesperado reina sobre as mentes dos desavisados. Por isso... Preparem-se!
Assinar:
Postagens (Atom)